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Lua Azul

Espaço da Luinha

Luinha

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Adoro conhecer pessoas, rir muito e fazer amigos. São muitas...
"A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos "
Marcel Proust
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7/7/2008

A JANELA DA FRENTE

 A JANELA DA FRENTE (La Finestra di Fronte/2003)

 

A filha me fez confessar que ela é insuperável na escolha de filmes. Nem um pouco contrariada balanço a cabeça em assentimento. Não há dúvidas, excelente a leva de hoje.

Inicialmente assistimos O Sobrevivente de  Werner Herzog.

Eu, deitada na rede gostosa, mas com frio exagerado, que não me largou no dia hoje. A filha ficou deitada no sofá ao lado. Tiramos no par ou ímpar a escolha da acomodação. Ela ganhou.

Não passei muito bem o dia, à tarde fui obrigada a me recolher.

Nessa primeira fita vimos a perseverança do protagonista  para se ver livre de uma prisão desumana. Foi comovente apreciar tanta perseverança e motivação. Um exemplo de valor à vida. Baseado no documentário Little Dieter Needs to Fly, trata-se da história real vivida pelo piloto norte-americano Dieter Dengler (Christian Bale), capturado em Laos durante a Guerra do Vietnã. Lá, ele organiza uma missão suicida para escapar. Um bom filme de ação.

Entretanto, o filme italiano A JANELA DA FRENTE (La Finestra di Fronte/2003),que assisti sozinha, depois que ela saiu para academia e para jantar com o pai, pegou-me de jeito. Uma boa sacudidela com delicada compreensão sobre nossos limites.

Tantos caminhos e escolhas. Ai ai...

Algumas cenas são espetaculares. Num determinado momento ela se olha de uma outra janela. Uma prática espetacular... As lembranças das olhadelas do casal gay na década de 40; e a chamada para a importância da participação dos sentidos, ao invés de vivermos sempre no automático, seja na vida ou na cozinha, também foram muito sutis. 

Vale a pena conferir.

Beijinhos

Luinha

7/6/2008

Saracoteando

Acordo nesse sábado com cara de domingo aqui na casa da Luluzinha em Vitória.

Uma delícia dormir numa cama gostosa e despertar sem uiuis. Li todas as revistas e folhei com muito interesse os livros que ela deixou para mim. 

Ontem ficamos até altas horas num papo gostoso sobre a vida, mas mesmo com os desafios que terei à frente neste dia, madruguei, como sempre.

Depois que voltamos de nossa saidinha para uns beliscos deliciosos, nos esparramamos para ver fotos e a bela vida. Numa certa parte esteve presente conosco nosso lobo (o meu velho lobo mau). Dedicamo-lhe  com especial solidariedade - faz é tempo - o nosso melhor amor.

Bacana isso... Nunca disputamos a tapa o lobo querido -  partilhamos  toda sua beleza da forma mais prazerosa possível. Vimos suas fotos contamos nossas impressões.

Estou sorrindo e especulando se esse é o sentimento que permeia as relações no harém... se for ... é perfeita esse tipo de convivência.

Eu e a Lu temos inúmeras afinidades. O lobo perspicaz nos presenteou há alguns bons anos atrás. Com o tempo nossa amizade só se aperfeiçoa.

A dispensa e geladeira cheias de comidinhas especialmente para mim. Se eu ficasse 1 semana por aqui, lá se ia minha dieta pra cucuia.

Depois trouxemos Chico para nos acompanhar na noite estrelada, mas sem lua. Tentamos fisgá-lo ainda na madrugada, mas sabido como ele só com certeza intuiu que estando de tititi na real teríamos pouca disponibilidade para papos virtuais.

De nossa seara afetiva da net o único que disse presente foi o Junim. Sempre alerta este nosso pequeno grande amigo, com sua insaciável curiosidade. Adivinhou que a tia Luinha já inaugurara a cadeira da tia Luz. 

Sacudi em vão a Lu desde cedo. Primeiro com o banho, depois secador – afinal hoje tenho um casamento. Assim que liguei o aparelho vi que acordaria todo o prédio, mas demorei alguns segundos para achar o botão de desliga.

Depois que coloquei mesa do café fui acordá-la às 8 horas. Puxei papo animado no seu quarto, mas fiquei com pena e resolvi deixá-la dormir mais 1 horinha.

Minha filha está certa, tenho necessidade de acordar as pessoas no meu tempo.

Como sou lesada, esqueci a senha de acesso à internet que Lu me contou. Vou aproveitar para deixar por aqui e ver se ela toma coragem, faz uma revisão e aperfeiçoa esta crônica de 5 de julho. Vai ficar é bom algo feito a 4 mãos.

 

E eis que as outras duas mãozinhas despertam afinal. Marta é mesmo incansável e bem disposta. Tagarela como ela só. Excelente companhia esta minha adorável visita. Foram poucos dias, mas curtimos tudo da melhor forma possível com direito a compras pra filha comigo servindo de modelo na prova.

 

Ela atenciosa me presenteou com guloseimas imperdíveis. Chocolates Kopenhagen, biscoitinhos caseiros de amêndoa e os tão desejados chuviscos.

Não conheço ninguém com tal disposição e humor como esta Lua sempre cheia, de graça, doçura e muito amor pra dar. Foi a melhor visita que recebo em anos.

Saboreamos o melhor da comida e reviramos os baús afetivos contidos nas pastas dos amigos virtuais. Entre fatos e fotos fomos tecendo as teias mágicas que unem tão diversos universos numa telinha virtual. Bom demais da conta. Por tudo isso já ensaiamos um retorno dela para desbravarmos as serras do Espírito Santo, com suas pedras azuis, seus domingos martins, seus chalés e cachoeiras. Promete este novo re-encontro.

 

Uma visita corrida, mas extremamente proveitosa e calorosa. Um bis nunca será demais. Foi uma pena vê-la de mala e carro vermelhos partindo determinada e corajosa em busca de novos sóis. Apesar de Lua pra onde tenha sol, é pra lá que ela sempre irá...

7/2/2008

Informe

A falta de sistema básico de saneamento provoca a morte de 3,8 milhões de pessoas/ano por enfermidades como diarréia, malária ou hepatite.

Nos USA e Europa gasta-se 81 bilhões em bebidas alcoólicas, cerca de 10 vezes mais do que seria necessário para assegurar saneamento, água e higiene para todos.

6/29/2008

Casamento à antiga

Espetacular!
Beijos
luinha
 
 
CASAMENTO À ANTIGA

As imagens do desamparo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso junto ao caixão da esposa, Ruth, emocionaram o Brasil. Estava ali um homem realmente ferido pela perda. Fiquei arrepiado. O país inteiro arrepiou-se. Existem, neste mundo moderno, muitas formas de casamento. Uma delas sempre me chama a atenção: o casamento de cumplicidade. É a união de um casal de longo tempo por meio de muitas aventuras e desventuras, um cimento inquebrável. Fernando Henrique e Ruth estiveram casados por 56 anos. Construíram tudo juntos, da profissão ao êxito político dele. Experimentaram o exílio. Discutiram idéias. Intelectuais brilhantes, eles publicaram livros e viram o mundo. A política, de certo modo, foi o menos importante.
Na época em que eu estudava Antropologia, li textos de Ruth Cardoso. Havia qualidade, pertinência e sensibilidade em suas análises. Para nós, ela era e continuaria sendo a antropóloga Ruth Cardoso, um modelo de pesquisadora. Quando eu era estudante de História, li o que Fernando Henrique fez de melhor na vida, 'Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional'. É impossível esquecer esses escritos. Fiquei pensando numa frase de outro antropólogo, o mais famoso do século XX, Claude Lévi-Strauss, que completará 100 anos em novembro, 'o mundo começou sem o homem e terminará sem ele'. É sabido que todas as nossas glórias são vãs. A fragilidade de Fernando Henrique durante o velório da mulher com quem partilhou a vida era apenas uma manifestação concreta dessa obviedade. Imagino que a mesma cumplicidade una o atual presidente e sua esposa. O poder nada pode contra isso. Tudo passa. Menos o grande amor.
Ali, junto ao caixão, estava Fernando Henrique, não o FHC inventado pela máquina de moer políticos de uma esquerda que julgava se diferenciar dos outros por uma marca ontológica, essencial, metafísica, representar o bem contra o mal. Já foi. Tudo perece. Diferenças hoje, caso existam, são programáticas. Imagino que Ruth Cardoso tenha sofrido ao longo desse processo de diabolização. As fofocas garantem que Fernando Henrique nem sempre foi fiel. Não o desculpo. Nem o condeno. Constato que seu amor se mostrou até a última cena. Não pretendo construir agora uma idealização. Nunca sequer votei em Fernando Henrique. De certo modo, a sua trajetória política, especialmente como presidente da República, obscureceu um pouco o valor intelectual da sua mulher e também o seu, embora não tenha sido a catástrofe anunciada pelos seus adversários.
Demonizar e humilhar o outro é a característica principal do jogo político. A lógica partidária sobrepuja o interesse comum. O mesmo ocorre agora com um homem que já mostrou ser muito inteligente, mas que, por não ter uma educação formal elevada, enfrenta o desprezo de setores elitistas. Tenho certeza de que Ruth, assim como Marisa, deve ter segurado muitas ondas de um marido às voltas com as contradições da política e das próprias ambições. Não guardei na memória imagens da época de Fernando Henrique no poder. Essas imagens edificantes se repetem, todas marcadas pela estética positivista da autoridade. A imagem, contudo, de Fernando Henrique, destituído de qualquer poder, vacilando diante do inexorável, ficará por muito tempo em minha mente. Estava ali a potência humana: a aliança que nem a morte destrói. Ao final, volta-se ao começo.

juremir@correiodopovo.com.br

"O mundo começou sem o homem e terminará sem ele' (Claude Lévi-Strauss)

Como é habitual,acordo cedinho, bebo água e vou correndo fazer xixi, pois depois dos 50 é assim. Não dá para acordar e ficar saracoteando como antigamente.

A distância que separa a cozinha do banheiro, nesse momento, lembra-me os espaços amplos dos castelos medievais. Nem parece que moro numa gostosa caixinha de fósforo com uma rede na sala ao lado da plantinha da amizade. Quando me deito para ler sinto-me acompanhada pelo lobo mau.

Esses dias, Adriana me contava que estava convencendo seu marido a morarem num pequeno apartamento como o meu. Explicava-lhe que tem algo de muito positivo, a obrigatoriedade da convivência com seu par e a manutenção. Tudo muito prático e mais barato. Ficamos menos expostos às desnecessárias necessidades de consumo. Menos escravos do modelo tradicional do capitalismo selvagem. Mais liberdade...

Nada como a idéia sonhadora que tínhamos aos 28, de domar por completo. Não existe essa hipótese. O ex2 que o diga. Embrenhou a alma durante a primeira fase da vida adulta para isso. Só porrada... e muitos enganos.

Preparo café com leite, meu pão árabe integral fininho com fiapinhos de queijo prato ligth,  e, uma fatia pequena de queijo minas. 

Lembro que é domingo e adoro tomar café com meu cronista predileto Juremir Machado da Silva. Ele fala sobre o amor do FHC por Ruth Cardoso.. Ai ai...

Sempre bem afinados vou sorvendo suas reflexões e o meu café com silenciosa atenção.

Minha filha que teve ontem um dia intenso dorme linda ao meu lado.

O sábio professor, de uma certa forma, não me saiu da cabeça essa semana que passou. Desfilei com a poderosa fragilidade de Getúlio pelo Palácio do Catete ao discutir sobre poder, opressão, direitos, valores, democracia e eleição, e especialmente as nossas próprias contradições, com minha amiga Leila.  Temos formas muito diferentes de reagir ou agir sobre os mesmos estímulos, mas sempre nos entendemos perfeitamente. Nada como ver a realidade questionada por ela, para depois fazer minhas próprias escolhas.

Nunca tive dificuldades para me relacionar com os diferentes. Jamais esquecerei que quando tínhamos 23 anos ela me contou algo interessante. “Marta, não podemos suportar sua enorme segurança e motivação.” Sei que você está correta e nem deveria mudar, mas precisava contar-lhe sobre isso.

Ora, caramba, demorei um ano resolvendo minha crise existencial aos 15 anos. O resultado disso foi uma pessoa sabedora que dependia de si mesmo para acessar a melhor parte do outro e da vida. Tudo seria resultado de nossas próprias escolhas. Sem culpas ou atropelos, raramente delegava a alguém o controle de minhas emoções. Isso exigia desde muito jovem, uma enorme responsabilidade. Sabe o que é passar uma existência digerindo seus limites sem alocar culpa em ninguém... nem posso dizer que foi ruim... mas que foi dureza, isso foi... algumas poucas vezes.

Dias depois de pensar a respeito, contei-lhe que precisavam fazer análise. Eu não iria mudar. Ela concordou com minha decisão.

Ela é uma amiga que admiro muito pela inteligência e especialmente pela forma sincera, rascante e vigorosa de fazer avaliações. Temos fortes referências comuns.

Foi de uma valia enorme o nosso papo. Fazia tempo...

Obrigada, Leila. Estarei muito mais atenta.

Beijos

Marta

6/28/2008

caderno sem pauta e espiral

Porque hoje é sábado e o céu estrelado de lua me possui sorrateiramente, perambulo como um vira lata pelos caminhos do cyber espaço.

Re-li as crônicas do professor gaúcho, que me faculta deliciosos ais ou uisuis.

Repasso na memória a boa intervenção do Sergio na Globo News. Lembro de sua delicadeza e seriedade.

Constato que mais uma vez adormeci sem dar boa noite para a realidade. Desmaiei, será coisa só da idade. Ando tão cansada.

Debruço no alpendre do 20º andar para avaliar o proveitoso tempo que passei com a Leila ontem à tarde. Quantas perspectivas e imaginário.

Lembrei-me do tempo da Klabin, quando as meninas pretensiosas rastreavam a vida pelas mesmas razões.

Tiro uma folga para visitar o blog do competente escritor gaúcho, Fabrício Carpinejar. Deixo-lhe um recado e sinto-me possuída pelo meu caderno sem pauta e espiral. Quantas vezes construo-lhes incansável as linhas,

 

... Minha memória não é a de um caderno-espiral, para distribuir e censurar as confissões, mentir sua extensão e abreviar o conteúdo. É de um caderno capa dura. Não consigo apagar uma lembrança, mesmo que seja dolorida ou humilhante ou os dois. Muito menos alterar seu número de páginas conforme as necessidades da relação. Não sou de riscar o que aconteceu para parecer mais maduro, ou eliminar as contradições e simular coerência. Inclino-me a conviver com as rasuras e insatisfações. O branco do corretivo sempre me irritou mais do que a mancha violeta. Alterar é disfarçar a carência. Alterar é fingir o que não foi vivido, antecipar o que não era hora. Falsificar-se compulsivamente.
Não irei me vingar com as cinzas, arrancar as folhas que não combinam comigo, ou que me provocaram decepções. Não serei visto queimando fotografias, cartas e paixões numa lata de lixo, apenas porque não me servem mais. O que namorei vai me enamorar a vida inteira. Estará lá numa página definida, permanente, com a letra segurando as linhas.

Todos os meus erros são esperançosos pela releitura.

 

On sai ram.

Luinha

 

6/27/2008

Edgar Morin habló sobre la reforma del pensamiento en educación

Bom dia

Admiro o pensamento do mestre Edgard Morin.

Fiz um resumo, mas sugiro a leitura integral. Espero que possam embebedar-se com sua sabedoria.

Sou fã e defensora dessas idéias para a educação.

Vale a pena conferir a palestra que o admirável professor proferiu na universidade chilena.

Beijos

Luinha

 

Irrepreensível a palestra de Edgar Morin,  grande pensador, mestre em educação. http://www.uc.cl/comunicaciones/site/artic/20080617/pags/20080617173444.php

Edgar Morin habló sobre la reforma del pensamiento en educación na UC

Partió su exposición haciendo referencia a Rousseau y su tratado Emilio. El filósofo francés plantea en esta obra de 1762 la necesidad de que el sistema educativo enseñe a los sujetos a vivir en un sentido que trascienda lo puramente profesional, es decir, que les permita vivir como personas, como ciudadanos y como seres humanos. Para Morin la misión de la enseñanza en la actualidad sigue siendo la misma: ayudar a los alumnos a enfrentar los dilemas fundamentales de la vida.  

El problema, agregó, es que esta finalidad no se puede cumplir cuando el sistema educativo está dividido en disciplinas, sin conexión entre sí. "Existe una enseñanza muy buena para ser especialista, para destinos profesionales, pero donde no hay posibilidad de enfrentar los problemas fundamentales y el modo de conocerse a sí mismo como ser humano".

Se debe enseñar, dijo, a enfrentar las incertidumbres en el mundo y en la vida en general..

La conciencia es otra cuestión importante que debiera estudiarse. Todo el conocimiento, incluidas las teorías y las ideas, es una traducción y una reconstrucción. "Si hay conciencia, entonces el problema fundamental es la posibilidad de equivocarse, la posibilidad de ilusión. Es necesario, por lo tanto, reflexionar y formar una actitud de vigilancia y de  autocrítica frente a la posibilidad de equivocarse,

Enfrentar todos estos problemas fundamentales que derivan de la condición de lo humano es la capacidad de enfrentar la complejidad, sostuvo. Para recomponer el tejido común hay que restablecer los nexos entre las disciplinas, recurriendo a todas las dimensiones del conocimiento: la literatura, las artes, la poesía, la química, la física, la biología, etc.

Se debe instaurar una reforma profunda en todos los niveles de la enseñanza, dijo. Los problemas importantes, agregó, pueden ser tratados si se incorpora un año común en las las distintas etapas educativas donde se enseñe la capacidad de abordar los saberes fundamentales.

Para finalizar su conferencia Morin afirmó que por encima de todos los aspectos que involucra la tarea del profesor, lo fundamental en la enseñanza, tal como sostenía Platón, es el eros, el amor. Y recordó que los maestros que ejercieron influencia sobre sí mismo fueron aquellos que le transmitieron esta pasión. "Amor por las cosas que se enseñan, amor por los alumnos, por las personas. Si no hay pasión, la enseñanza es una cosa casi muerta".

Não se deve combater os pobres, mas a pobreza

Não se deve combater os pobres, mas a pobreza


Ricardo Petrella*

A ingente (e justificada) aparição de problemas relacionados com as mudanças climáticas, sobretudo o aquecimento global, na vida cotidiana dos habitantes do planeta atrai a atenção da opinião pública para termos que são de enorme importância para o presente e o futuro da humanidade. Trata-se de questões herdadas, ligadas diretamente aos requisitos prévios fundamentais da vida: água, energia, solo, ar. Sem eles não há vida. Com esses antecedentes, não é nenhuma surpresa que voltem a ser feitas inquietantes perguntas sobre o futuro das cidades, especialmente a respeito do futuro dos que vivem nos subúrbios indigentes do mundo, chamem favelas, vilas miséria ou chabolas.

Basta ver o último Informe sobre Desenvolvimento Humano 2007/2008 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento sobre as mudanças climáticas. Há um número preocupante que ronda a cabeça das pessoas: em menos de 20 anos, 2,4 bilhões de seres humanos viverão em subúrbios indigentes, lugares onde os ocidentais ricos não colocariam para viver nem seus gatos.

Limitando-nos aos subúrbios indigentes dos principais conglomerados urbanos da África, América Latina e Ásia, estima-se que neles mais de um bilhão de seres humanos “vivem” em condições de pobreza duradoura, violência física, social e moral coletiva, exclusões de todo tipo e negação das normas mínimas de existência dignas da qualidade humana.

Na realidade, estes assentamentos refletem o crescimento disfuncional das cidades e são os elementos fracos e mais vulneráveis de nossa atual civilização urbana. Enquanto Londres pode gastar 1,2 bilhão de euros anuais para se proteger contra os riscos das inundações, tempestades e outras catástrofes naturais, recentemente os subúrbios de Rangun e Bogolav, na Birmânia, foram assolados por um ciclone que deixou mais de 50 mil mortos. Seus habitantes eram, simplesmente, pobres.

Voltando a atenção para os últimos 30 anos, a partir do momento em que os países do Norte impuseram as Políticas de Ajuste Estrutural ao resto do mundo, não há dúvida alguma de que nem as classes governantes do Norte nem as do Sul (submetidas às primeiras) têm alguma intenção de adotar medidas necessárias para promover o desaparecimento dos subúrbios indigentes e transformá-los em lugares civilizados para seres humanos. O cenário mais provável para os próximos 30 anos é o crescimento “inevitável” dos milhares de milhões que integram a enorme população dos subúrbios indigentes do mundo.

Isso significa que o maior desafio político para os próximos 30 anos é o da erradicação total da pobreza do planeta; ou mais exatamente, a supressão daquelas situações e daqueles processos que levaram ao crescente empobrecimento maciço das populações mundiais. Significa, ainda, que a solução para esse desafio implica uma redefinição completa e radical do futuro das cidades, para devolver as cidades aos cidadãos.

Como? Através de uma política que altere as prioridades quanto a investimento e uso dos recursos locais e globais disponíveis para a geração de riqueza coletiva nos subúrbios indigentes, isto é, para a produção de bens comuns: água, educação, moradia, agricultura para as necessidades locais, energias renováveis, economia de energia, etc. isso exigirá uma batalha nova/adicional em favor da reestruturação global do atual sistema financeiro, que é absolutamente verossímil e urgente.

Por onde começamos? Pelos bens comuns e concretamente por uma estratégia mundial de “água para os subúrbios indigentes” centrada em uma oferta de água potável em pequenos distritos de cooperativas de habitação, dotadas de oportunos serviços de higiene. Os projetos concretos poderiam ser chamados “Fontes para viver juntos”. O financiamento deveria ter como procedência novos sistemas locais/ regionais para arrecadar impostos locais sobre a poupança e a renda, reforçados por uma redução de 10% nos gastos militares, dentro do contexto de uma política de desarmamento gradual e geral. Evidentemente, este último é algo difícil de ser conseguido no curto prazo. Porém, não significa que não seja urgente continuar trabalhando nesse sentido.

Quem deveria dar o primeiro passo? Os ativistas dos distintos Nortes e Suis do mundo. É preciso insuflar vida nova à luta, em nível continental e global, por parte das comunidades locais em favor de um mundo diferente, com especial atenção à água, comida, saúde e moradia, tendo em conta que existe uma grande diferença entre os finais da década de 90 e os primeiros anos deste século: as pessoas têm atualmente muito maior consciência dos problemas da vida neste planeta do que há alguns anos, inclusive a população “rica” do mundo. A grande onda de revolução oligárquica conservadora que arrasou todos os continentes ao longo dos últimos 30 anos ainda não terminou, mas o dano também está tendo um efeito adverso sobre as vidas dos que detêm o poder.

Isso não significa que as classes governantes farão mudanças profundas no sistema. Tentarão por em prática soluções moderadas, paliativas (pensemos, por exemplo, no crescimento do neocapitalismo verde e nas fórmulas que a União Européia está propondo para combater o aquecimento global) ou soluções que são piores do que o problema (por exemplo, tolerância zero em relação aos imigrantes “ilegais” e a luta contra os “pobres” e não contra a pobreza). Creio, entretanto, que não serão capazes de prosseguir, que fracassarão em sua tentativa de bloquear a luta pela vida.


* Ricardo Petrella, fundador do Comitê Internacional para o Contrato Mundial da Água e professor emérito da Faculdade Católica de Lovaina.

(Envolverde/IPS)

Papo de mãe e filha

Ontem tive um jantar agradável com minha filha, depois de um final de tarde de consumo como ela adora vez por outra fazer. Eu já não vejo nenhuma graça em consumir algumas coisas.

Ai ai... Fazia tempo...

Está tão crescida... uma bela mocinha de 20 anos.

No caminho fui contando como foi à deliciosa convivência com seu pai e porque encerramos caso tão especial. Interessante que ela sempre achou que terminamos na hora certa, quando ainda dava pra deixar preservadas as coisas fundamentais.

Ela não conseguia lembrar-se tão bem, como eu, dos detalhes da relação. Falei sobre as brincadeiras, as aventuras e aprendizagem. Como perder deliberadamente os limites, a confiança, a prática do amor.

Depois dos inúmeros embates sobre responsabilidades dos seus superados traumas de infância – “Não andei nos brinquedos mais emocionantes nos parques temáticos da Disney, não descia em Toboágua gigante, só passei a dormir na casa de minhas amigas com 10 anos” – e até sobre o sexo dos anjos, ela imprensou-me na parede. “Mãe, você está sem namorado porque nunca sai para paquerar. Reclamou que nem olho para os lados, mas você também não faz.”

Listou todos os programas que costumo fazer e foi analisando caso a caso. Observava feliz sua enorme capacidade de análise rascante.

É tão esperta que usou o argumento adequado, a culpa será sua, se eu não arranjar namorado. Você está dando mal exemplo.

Faça que nem a mãe da Renata – arranje um namorado policial... viu que barato? Quantos problemas e dramas. (KKK)

Depois foi listando como eu deveria me comportar. “Sairá um dia na semana especialmente para paquerar.”

Concluiu que se ela é discriminada, por não fazer uso de drogas lícitas ou ilícitas, imagine você na sua idade. Peça uma bebida e finja beber com prazer. Se eu sou discriminada por não fazer uso de drogas, imagine você com gente de sua geração... Dei gargalhadas. Jamais se mostre interessada. Nunca se desnude, nem diga que está procurando algo de valor. Mostre que tem dúvidas sobre a relação. Represente o papel.

Aí meus calos doeram logo. Tive que defender a tese tão bem testada, que relações só dão clique se forem baseadas em pessoas que se dão e ficam de 4.

Rimos muito quando concluiu que estarmos juntas atrapalhava as chances de ambas. “Homens se desencorajam ao verem mulheres – mães e filhas juntas.”

Enfim estou avaliando suas considerações para ver por onde começar.

Um dia na semana... kkk

Será que dou conta?

Ela hoje saiu de bom-humor. Entrou na net e viu que tirou 10 em política. Agora terrível ter de encarar suas aulas de religião. Ela abomina. 

Beijos

Luinha

Mi unicornio y yo hicimos amistad

Hum... dia espetacular na minha Cidade Maravilhosa – céu limpo, sol acolhedor, clima fresco e agradável.

Uma pausa para boas lembranças e saudades.

Pablo Milanes embalando minha vontade com a belí ssima canção.

Beijos

Marta

 

 Mi Unicornio Azul

(Lucecita Benítez)

 

Mi unicornio azul ayer se me perdió
pastando lo dejé y desapareció
cualquier información bien la voy a pagar
las flores que dejó, no me han querido hablar.

Mi unicornio azul ayer se me perdió
no sé si se me fue, no sé si se extravió
y yo no tengo más que un unicornio azul
si alguien sabe de él, le ruego información
cien mil o un millón yo pagaré
mi unicornio azul, se me ha perdido ayer
se fue...

Mi unicornio y yo hicimos amistad
un poco con amor, un poco con verdad
con su cuerno de añil pescaba una canción
saberla compartir era su vocación.

Mi unicornio azul ayer se me perdió
y puede parecer acaso una obsesión
pero no tengo más que un unicornio azul
y aunque tuviera dos yo solo quiero aquel
cualquier información la pagaré
mi unicornio azul se me ha perdido ayer
se fue...

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